Automóveis eléctricos vão dominar o mercado mais cedo do que se pensa?

Depois de décadas a ouvir promessas de que os carros eléctricos estavam a chegar, sem qualquer efeito prático, parece que agora estamos finalmente perante um momento de transformação – e que pode acontecer de forma mais rápida do que se imagina.

 

Lembro-me de, já no distante ano de 1999, se falar que a aposta nos carros eléctricos estava a ser feita em força… e que uma década depois continuava a não se ver nenhuma alteração no panorama automóvel (a não ser a grande aposta nos diesel teoricamente “mais limpos que nunca”). Mas agora arriscamos-nos a estar a entrar numa década em que essa transformação possa acontecer de forma equivalente à revolução causada pelos iPhones.

Há uma década atrás seria impensável que a Nokia não tivesse assegurada a sua permanência como líder no mercado dos smartphones “para sempre”, ou que a BlackBerry tivesse que se preocupar com a sua liderança no sector empresarial. Mas um pequeno dispositivo, criado por uma empresa que nem sequer fabricava telemóveis veio mostrar que isso não passava de uma ilusão… e basta olhar para o estado em que estão hoje, dez anos passados.

Os fabricantes automóveis têm a vantagem de não estarem a ser tão arrogantes face a empresas como a Tesla, que também entraram no sector com o objectivo de o revolucionar – e o que é certo é que, depois de anos relegada para um nicho de mercado (os que podem pagar os preços dos Model S e X), o anúncio e chegada do Model 3 tem, sem qualquer dúvida, feito acelerar as coisas.

Muitos são os fabricantes que se apressam a dizer que já em 2020 todos os seus veículos serão eléctricos ou híbridos, e outros a dizerem que para 2030 já só terão veículos 100% eléctricos.

Isto faz imaginar que a meta de 2040 que alguns países têm definido para a proibição de vendas de veículos a combustão, poderá nem sequer chegar a ser necessária, pois o mercado evoluirá para veículos eléctricos muito antes disso. E a avaliar pelo interesse das pessoas, tenho verificado que grande parte delas já nem equaciona que o seu próximo carro não seja 100% eléctrico.

Por outro lado, é também necessário ter em conta que isto não fará com que os muitos milhões de veículos a combustão desaparecerão de um dia para ao outro, continuando a circular por muitas décadas… mas muito seguramente contando com restrições crescentes quanto aos locais em que deixarão de poder circular (centros de cidades, etc.) Mas, parece-me inevitável que daqui por uma década, as conversas de que é difícil encontrar um posto de carregamento já se terão transformado em algo do género: “Mas tu ainda tens paciência para ir ao posto de gasolina abastecer? Eu carrego o carro em casa, no trabalho, no centro comercial, ou onde quer que pare…”

Publicado originalmente no AadM

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