Missões Voyager foram feitas “às escondidas”

Hoje em dia as duas sondas Voyager fazem parte do imaginário de todos os que sentem um fascínio pelo espaço, mas o que será ainda mais interessante é descobrir que estas missões foram feitas de forma clandestina para durar muito mais do que tinha sido inicialmente aprovado.

Todo o envolvimento das missões Voyager parece saído de um livro de ficção, pois a ideia inicial de ter uma sonda a passar por todos os planetas mais distantes do sistema solar foi uma “ideia louca” avançada em 1965 por um estudante que trabalhava em part-time na NASA, e que tinha essa ideia graças a um livro que tinha recebido em criança, que mostrava todos os planetas alinhados.

Enquanto explorava possíveis missões para além de Marte, Gary Flanders descobriu que Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno iriam ficar alinhados de forma perfeita para que uma sonda pudesse aproveitar a gravidade de cada um deles para ser projectada para o seguinte. Uma manobra que permitiria visitá-los em 10-12 anos, em vez das (impraticáveis) muitas décadas se se quisesse fazer isso de forma convencional. O problema é que este alinhamento só iria acontecer durante poucos meses no final da década de 70… e só se voltaria a repetir 175 anos mais tarde.

Ainda assim, a perspectiva de ter uma sonda capaz de funcionar durante mais de uma década no espaço era algo que ia bem para além de tudo o que já tinha sido feito até à data. Sem grandes surpresas, o Congresso dos EUA rejeitou a ideia de tal missão arriscada, aprovando apenas uma versão menos ambiciosa de visitar apenas Júpiter e Saturno. E é aqui que entra a parte curiosa…

Os engenheiros da NASA optaram por ignorar a “limitação” de viajar apenas até Saturno, e criaram as Voyager de modo a conseguirem passar por todos os planetas como inicialmente desejavam, ao ponto de, quarenta anos mais tarde, estas sondas continuarem a funcionar, já fora do sistema solar.

… Basta tentar imaginar que aparelhos electrónicos de 1977 é que ainda temos em estado funcional, para apreciar todo o empenho que foi aplicado nas Voyager 1 e 2.

 

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