Alcaide de Madrid suspende zona de baixas emissões poluentes

Contrariando a tendência de inúmeras cidades de países civilizados, em Espanha dá-se um péssimo exemplo com o novo alcaide José Luis Martínez-Almeida a suspender a zona de baixas emissões que tinha sido criada em Madrid, contribuindo para o aumento da poluição e congestionamento no interior da cidade.

A medida limitava a entrada de veículos mais poluentes no interior da cidade, medida indispensável para tentar reduzir os níveis de dióxido de azoto, que têm superado os limites europeus desde 2010. No entanto, as 3.000 mortes prematuras anuais que se estimam serem causadas pela poluição não foram suficientes para demover José Luis Martínez-Almeida, o novo alcaide de Madrid (o equivalente nossos presidentes das câmaras municipais).

Este senhor fez questão de tornar a abolição desta zona de baixas emissões um dos pilares centrais da sua campanha, o que não será surpresa vindo de um partido que diz que os congestionamentos em Madrid fazem parte da “identidade da cidade” e que “mostram que a cidade é movimentada”. Por agora a ideia da zona de baixas emissões será suspensa durante três meses, para que sejam avaliadas formas alternativas de reduzir as emissões (a União Europeia tem ameaçado com multas pesadas se a Espanha não reduzir as suas emissões poluentes). Resta agora esperar que os factos falem por si. Quando a zona foi implementada, bastou um mês para que as emissões NOx caíssem 38% para os valores mais reduzidos desde 2012, e as emissões de CO2 caíssem 14% – a par de uma redução no trânsito e aumento da velocidade média nos transportes públicos.

Pode ser que estes senhores “iluminados” consigam perceber do que se trata, quando em poucas semanas voltarem a fazer aumentar a poluição para os níveis anteriores. É incrível constatar como pessoas de uma geração que deveria estar bem sensibilizada para as questões ambientais (tem 44 anos) e que estão em posições de poder, são capazes de cometer tais atrocidades. Será que se esquecem que por cá ficarão os seus filhos e familiares (e todas as restantes pessoas) que terão que viver com as consequências das suas decisões?

Publicado originalmente no AadM

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