NTSB iliba Autopilot do acidente mortal com um Tesla

O Autopilot da Tesla fica livre de suspeitas no acidente mortal “sem condutor”, mas levanta outras preocupações quanto à operação das portas no caso de falta de energia.

Recentemente houve um estranho caso de um acidente com um Tesla que chocou e se incendiou, causando a morte dos dois ocupantes. O elemento estranho é que não estava ninguém no lugar do condutor, o que fez desde logo suspeitar de um potencial abuso do sistema Autopilot – reforçado pelos relatos de que o condutor teria ido dar uma volta com um amigo para lhe mostrar o Autopilot.

A Tesla começou logo por dizer que o Autopilot não estaria activado, dando origem a outras notícias que indicavam como as medidas de protecção do Autopilot são fáceis de enganar, e posteriormente novo reforço da Tesla a dizer que haveria mesmo alguém no lugar do condutor no momento do acidente.

O relatório preliminar da NTSB (National Transportation Safety Board) parece confirmar a versão da Tesla, realçando que o acidente se deu a poucas centenas de metros da casa do dono do veículo, onde existiam câmaras que mostram que ele tinha entrado para o lugar do condutor; e que, tal como a Tesla tinha dito, não conseguiram activar o modo Autopilot naquela estrada, por não ter marcações laterais.

O Autopilot parece, por isto, ficar fora da equação, mas surgem agora outras preocupações: porque motivo foi o condutor encontrado na parte traseira do Model S?

A suspeita recai agora sobre a possibilidade de, após a colisão, as portas de actuação eléctrica do Tesla terem ficado inoperacionais devido a um corte de energia provocado pelo acidente. Sem electricidade, é necessário recorrer a um mecanismo de desbloqueio das portas através de uma patilha por baixo dos lugares traseiros (ver o seguinte vídeo a partir dos 0:30).

Sem electricidade, os ocupantes não só deixam de poder abrir os vidros, como deixam de conseguir abrir as portas, a não ser que recorram ao tal desbloqueio manual – algo que poderá ser complicado de lembrar / operar no caso de pessoas incapacitadas após um choque violento, ou em pânico devido a ter um carro a incendiar-se. O Autopilot fica livre, mas este caso pode levantar sérias questões quanto à dependência excessiva em sistemas eléctricos para algo de operação crítica quanto a abertura das portas.

Publicado originalmente no AadM

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