LAGEOS – o satélite reflector que orbita a Terra há 40 anos

O nosso planeta em sua órbita mais de 2200 satélites artificiais, mas há alguns deles que têm características que os tornam mais curiosos, como é o caso LAGEOS, que mais semelhanças tem com com uma bola espelhada de uma discoteca do que com a imagem que temos de um satélite.

Lageos_1

O LAGEOS-1 (LAser GEOdynamics Satellite) foi lançado para o espaço em 1976, e tem a particularidade de ser, literalmente, uma esfera revestida de reflectores. Na verdade, são 426 retro-reflectores cúbicos – que garantem que um laser seja reflectido na mesma direcção de onde teve origem – dos quais 4 são feitos de germânio (optimizado para reflectir luz infra-vermelha).

Aliás, o único propósito deste satélite, com 60 cm de diâmetro, é servir de reflector, permitindo fazer medições de alta precisão usando lasers. O seu pequeno tamanho também pode ser enganador, uma vez que o LAGEOS pesa mais de 400Kg, sendo feito de materiais que não reagem ao campo magnético da Terra para manter uma órbita livre de interferências. Graças a essa estabilidade e sendo completamente passivo, sem necessidade de combustível ou de baterias, tem sido usado nas últimas quatro décadas para medir coisas como as variações de rotação do nosso planeta, as diminutas deslocações das placas tectónicas, o efeito dos tremores de terra, e outros fenómenos geo-físicos. Também foi usado para confirmar que a massa do nosso planeta “dobra” o espaço-tempo.

Em 1992 este satélite, que ainda se deverá manter operacional durante muitas décadas, passou a ter a companhia do LAGEOS-2; e está previsto que um LAGEOS-3 venha a ser lançado no futuro.

Lageos_2

Uma curiosidade sobre o LAGEOS é que transporta uma pequena placa de 10x18cm desenhada por Carl Sagan, que contém o nome e representação pictográfica do satélite, a representação binárias dos números de 1 a 10, diagrama da Terra a orbitar o Sol, e a representação da Terra em 3 períodos temporais distintos: de como era há 268 milhões de anos, como é actualmente, e de como será alguns milhões de anos no futuro.

Porque afinal… só por cá andamos durante um “micro-momento” cósmico, e nada como nos relembrar da nossa insignificância no Universo. ;P

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