Reconhecimento de matrículas cada vez mais utilizado por privados

Depois de se terem popularizado entre as autoridades policiais, os sistemas de leitura automática de matrículas têm estado a ser adoptados por privados, levantando sérias questões de privacidade.

Em diversos países é cada vez mais frequente o recurso a sistemas de leitura automática de matrículas (ALPR – Automated License Plate Readers), que não só podem alertar as autoridades quando passam por um automóvel que tenha algum alerta pendente (carro roubado, multas em dívida, seguro caducado, etc.) como permitem criar um poderoso arsenal de dados, identificando onde cada carro estava a cada momento em que um destes sistemas passou por ele. Esse tipo de informação já ajudou no passado a apanhar ladrões, ao identificar carros suspeitos que estavam perto dos locais de roubos nas datas dos mesmos.

No entanto, este tipo de recolha indiscriminada de dados tem gerado bastante polémica, e que irá seguramente aumentar ao descobrir-se que estes sistemas estão agora a ser usados também por utilizadores privados.

A tecnologia de leitura de matrículas é agora algo que qualquer pessoa pode adicionar com facilidade a qualquer câmara, quer seja uma “dash cam” montada no automóvel ou a uma câmara de vigilância apontada para a estrada; e que permite recolher exactamente o mesmo tipo de informação: matrícula do veículo, cor, e até a marca e modelo (nalguns casos). A questão é que, nestes casos, não há qualquer controlo sobre a utilização destes dados, e que algumas empresas já estão a recolher e a utilizar “para os seus próprios fins”.

Ao estilo do factor de atracção para os anunciantes no Facebook, que podem dizer que só querem mostrar publicidade a pessoas com a idade X, que morem na cidade Y e gostem do artista Z; imaginem só o quanto iria valer um serviço que pudesse dizer onde é que determinado veículo foi visto e quando; ou que veículos costumam estacionar em determinada área durante certas horas. De certa forma, não será pior do que os dados da nossa localização que já são recolhidos pelos operadores… mas por outro lado, é mais um pequeno pedaço da nossa privacidade que desaparece.

Publicado originalmente no AadM

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