E quando os carros espiarem até o nosso peso?

Fartos de serem seguidos na web ou sempre que utilizam um smartphone? Os automóveis são o próximo “El Dorado” a nível de recolha de dados, podendo chegar ao ponto de detectar se estamos a engordar ou emagrecer.

É quase impossível conseguir imaginar todas as formas como os dados que são recolhidos sobre nós estão a ser analisados, dando às empresas tecnológicas (e parceiros) a capacidade de quase adivinhar os nossos pensamentos. Mas isto é apenas a ponta do iceberg, e o futuro traz-nos situações ainda mais preocupantes.

No caso dos automóveis, que também vão ficando cada vez mais ligados à internet, os fabricantes não só ficam a saber por onde andamos e que viagens realizamos, mas também sabem se somos condutores calmos ou agressivos, ou se andamos dentro dos limites de velocidade ou em excesso de velocidade – quanto tempo irá demorar até que as autoridades façam um pedido destes dados para enviar um lote de multas automáticas para todos? Mas a questão é que as coisas não se ficam por aqui….

Não entrando na área do que será possível fazer com a recolha das imagens das câmaras instaladas nos automóveis, temos que os automóveis são um poço de informações bastante valiosas. Os automóveis conseguem fazer uma leitura contínua do relevo da estrada, permitindo saber se a estrada está em boas condições ou se há buracos que exigem reparação; conseguem saber a aderência da estrada; em que zonas está a chover; e são até capazes de determinar o peso do condutor e ocupantes (quer através de sensores nos próprios bancos, quer através da suspensão do veículo).

Estão a imaginar o valor desta informação, se for vendida a empresas de seguros, que assim podem saber se um seu cliente estará a engordar demasiado e a tornar-se num factor de risco? Ou outras empresas que daí infiram o seu potencial estado de espírito, ou que até cheguem ao ponto de vender aos restaurantes o peso médio da comida que os seus clientes estão a ingerir, e se deverão ajustar as doses para maximizar os rendimentos?

As regras da privacidade de dados terão que ficar bem esclarecidas, para estes e todos os outros casos… para que, daqui por uns anos, não tenhamos que olhar para trás e desejar regressar aos tempos em que apenas tínhamos que nos preocupar com os cookies e os smartphones.

Publicado originalmente no AadM

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