Destroços de satélite indiano destruído ficarão em órbita por mais de um ano

O teste do míssil anti-satélite que destruiu um satélite indiano provocou uma nuvem de destroços, com mais de meia centena que deverão permanecer em órbita durante mais de um ano, com os riscos associados.

A Índia quis demonstrar o seu potencial bélico de destruição de satélites, lançando um míssil que destruiu um dos seus próprios satélites para grande desagrado de todo o sector aeroespacial. Contrariando a narrativa de que não havia motivos para preocupações, por se tratar de um satélite numa órbita baixa (300 kms), e que faria com que todos os destroços se desintegrassem na atmosfera num prazo de poucos dias, fica confirmado que, quatro meses mais tarde, existem mais de 50 destroços que permanecem em órbita e por lá ficarão durante mais de um ano.

É certo que a maioria dos destroços já se desintegrou, como tinha sido indicado. Mas o grande problema são os que ainda permanecem, alguns dos quais com órbitas a altitudes idênticas à da ISS (nos 400 kms), e outros que foram projectados para órbitas ainda mais elevadas (até 1.600 kms). Destroços que demorarão mais de um ano a cair, e que mesmo não constituindo um perigo imediato, sempre contribuem para o aumento dos riscos de colisões indesejadas.

Pior ainda será a mensagem que a Índia passou, de que este tipo de testes é “aceitável”, e que pode fazer com que outras nações se sintam com a necessidade de também demonstrarem capacidade idêntica, provocando um aumento considerável do lixo espacial por motivos completamente estúpidos.

Publicado originalmente no AadM

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