NASA desliga telescópio espacial Spitzer daqui a 2 dias

Ao fim de 17 anos de operação, a NASA vai desligar o telescópio espacial Spitzer a 30 de Janeiro, marcando o fim de uma missão que nos ajudou a ver melhor o Universo.

O Spitzer foi lançado em 2003, tendo sido concebido para espreitar o cosmos no espectro infra-vermelho. Curiosamente, o telescópio continua perfeitamente funcional e poderia continuar a operar; o problema é que a órbita em redor do sol em que foi colocado, escolhida para minimizar a interferência da Terra nas suas observações, fazia com que se fosse afastando gradualmente de nós.

Actualmente o Spitzer está a mais de 250 milhões de quilómetros de distância, numa situação que torna cada vez mais complicado fazer a “coreografia” de o apontar para o local a observar sem que fique demasiado exposto ao sol (para não aquecer demasiado os seus instrumentos ultra-sensíveis), mas também manter os painéis solares apontados para o sol para ter energia, e ainda ter que apontar as suas antenas para a Terra para transmitir os dados. É uma situação que já tinha feito com que o Spitzer fosse desactivado no início de 2019 – mas que a NASA aceitou prolongar por mais um ano devido ao atraso no telescópio espacial James Webb – que tem sido adiado e que só deverá chegar ao espaço em 2021.

Devido à sua distância e ao facto de não estar perto de nada, a NASA diz que se vai limitar a colocar o Spitzer em hibernação, sem necessidade de seguir os procedimentos habituais de despejar o combustível e descarregar as baterias para reduzir as probabilidades de explosão no caso de qualquer avaria ou colisão com micro-meteoritos. Talvez daqui por umas décadas se venha a ter tecnologia que permita ir buscar o Spitzer e recuperá-lo para um local onde possa voltar a ficar funcional por mais uns anos, ou trazê-lo para o solo para poder ser apreciado num museu! 🙂

Publicado originalmente no AadM

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