Tesla está 6 anos à frente da Toyota e VW na electrónica

Uma análise feita aos componentes e processo de fabrico do Model 3 revela que o fabricante norte-americano surpreendeu os restantes gigantes da indústria, e actualmente está meia dúzia de anos à frente da concorrência em termos de electrónica.

Não é segredo que os fabricantes se apressem a dissecar os novos automóveis dos seus rivais, para tentarem descobrir todo e qualquer segredo que tenha sido utilizado na sua construção. Desta vez, a análise foi feita pela Nikkei Business Publications, e o elemento de destaque foram os componentes electrónicos que, segundo um engenheiro de um dos grandes fabricantes nipónicos, revela que a Tesla tem um avanço de 6 anos face aos restantes fabricantes.

Isto porque, enquanto os fabricantes tradicionais têm mantido o processo habitual de subcontratar as várias dezenas de módulos de controlo que se espalham pelo veículo (sistema de controlo do motor, sistema de controlo do habitáculo, sistema de controlo de tracção, travagem, infotainment, navegação, etc.) a Tesla tem optado por seguir a tendência que se verificou no segmento dos smartphones, passando a desenvolver não só o seu próprio software, como também o próprio hardware, à medida das suas necessidades. Com o computador do Autopilot a ser um exemplo perfeito das vantagens que isso lhe traz.

Um fabricante automóvel que queira implementar um sistema de Autopilot terá que fazer algo como, comprar um computador especializado para essa tarefa a uma empresa como a Nvidia, usar uma base de software que lhe é disponibilizada e desenvolver as partes que deseja que sejam diferenciadoras. Um pouco ao estilo de um fabricante de um smartphone Android que se tem que limitar a utilizar os componentes que estão disponíveis no mercado, de vários fornecedores. Já a Tesla, adiantou-se no sentido de desenvolver o seu próprio hardware, feito à medida das necessidades do seu software, e assim conseguindo uma maior eficiência e também a eliminação da dependência num fornecedor externo.

Mesmo que os grandes fabricantes decidam seguir um caminho idêntico, será necessário um processo de aprendizagem e desenvolvimento que demorará vários anos a dar frutos – e que não correrá necessariamente bem, já que é uma área em que normalmente não se têm aventurado (devido à dependência em fornecedores externos que até aqui tratavam disso).

Dito isto, a demora da Tesla em cumprir com as promessas do modo de condução autónoma (o reconhecimento de STOP, semáforos, e condução em estradas nacionais eram coisas que estavam prometidas até ao final de 2019 – e que não foram cumpridas) demonstra que as dificuldades são muitas, mesmo quando se têm equipas dedicadas a essa tarefa… Veremos que tal o panorama está daqui a seis anos, e se os demais fabricantes conseguiram aproximar-se da Tesla neste aspecto, ou se a diferença de andamento se mantém.

Publicado originalmente no AadM

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