As câmaras ejectáveis do Saturn V

Para captar as imagens do poderoso foguete Saturn V que permitiu a ida à Lua, a NASA recorria a um sistema de câmaras ejectáveis que hoje parecerá completamente anacrónico.

Todos os fãs da aventura espacial já terão visto as fantásticas imagens dos vários estágios do Saturn-V a separarem-se, e estarão tão habituados a isso que nem sequer pensarão em como é que essas imagens foram obtidas. Ao contrário do que temos hoje em dia, com câmaras digitais e sistemas de transmissão, na década de 60 as coisas eram “ligeiramente” mais complicadas, e as soluções encontradas são tão engenhosas quanto o foguete. O Saturn V carregava no seu interior um conjunto de 8 módulos de câmaras ejectáveis, câmaras que gravavam (em película) alguns momentos chaves, como a separação dos estágios, e que depois eram ejectados para poderem ser recuperados.

Como se pode imaginar, a simples tarefa de recuperar estes módulos nem sempre era bem sucedida, mas houve alguns casos curiosos, como um lançamento em 1964 que fez com que as câmaras fossem ejectadas para o local de um furacão – mas ainda assim com dois dos módulos a darem à costa em duas ilhas, sete semanas mais tarde.

Outra curiosidade interessante, é que estas foram também das primeiras a utilizar um sistema de fibra óptica para conseguirem captar imagens de locais onde não seria possível instalar fisicamente as câmaras, como imagens captadas do interior dos depósitos de combustível ou de compartimentos do motor.

Este sistema de câmaras ejectáveis foi usado até à Missão Apollo 8. A partir daí deixaram de ser utilizadas devido às restrições do peso com a instalação do módulo lunar que, alguns anos mais tarde, iria fazer pousar os primeiros astronautas na lua. Só no lançamento do Skylab em 1973 voltou a haver a possibilidade de serem instaladas (em termos de peso), mas por essa altura a NASA achava que já não tinha nada a ganhar com a captação de mais imagens do processo de lançamento do Saturn V, e o orçamento disponível também não dava para o dispendioso processo de utilização e recuperação destas câmaras.

Publicado originalmente no AadM

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