
Em agosto de 2026, a procura de veículos usados cresceu 9% face ao mesmo mês do ano anterior, mas a oferta aumentou ainda mais, em 11%.
Este desequilíbrio, já visível em julho, mantém a dinâmica do mercado de usados em terreno negativo quando comparada com 2025, com um saldo de menos 2%.
Os dados são do Standvirtual, o portal líder de automóveis em Portugal, e pintam um retrato de um mercado cada vez mais competitivo, onde o stock cresce a um ritmo superior ao interesse dos compradores. Para quem vende, a capacidade de rodar inventário rapidamente torna-se uma prioridade crescente.
O segmento abaixo dos 15.000 euros continua a ser a excepção à regra: é a única faixa de preços onde a procura cresce mais depressa do que a oferta, o que confirma que o preço continua a ser o principal factor de decisão de compra. Neste intervalo, o Market Days Supply, ou seja, o tempo médio esperado para vender um veículo tendo em conta o stock disponível, baixou de 40 para 36 dias em termos homólogos. Já nos veículos entre 15.000 e 30.000 euros, este indicador piorou. Acima dos 30.000 euros, o tempo de venda diminuiu apesar do crescimento da oferta, o que poderá reflectir a crescente rotatividade dos eléctricos nesta faixa de preços.
As transferências de propriedade de ligeiros de passageiros caíram 23% em julho de 2026 face a julho de 2025, prolongando uma tendência de queda que se arrasta desde o início do ano. No acumulado até julho, a descida é de 8,2%. Ao mesmo tempo, as importações de ligeiros de passageiros cresceram 2,4% em agosto face ao mesmo mês de 2025, totalizando cerca de 10.163 veículos. No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o crescimento é ainda mais expressivo, na ordem dos 12,6%. A combinação entre importações elevadas e menos transacções no mercado interno aumenta a pressão sobre os profissionais do sector.
Quanto aos preços, os valores médios anunciados continuam a subir, mas essa subida é enganadora. Quando se comparam veículos equivalentes ao longo do tempo, controlando o efeito da composição do stock, percebe-se que os preços estão, na realidade, sob uma ligeira pressão descendente. A subida do preço médio reflecte sobretudo um efeito de mix: há mais carros de gama superior no mercado, o que puxa a média para cima, sem que isso signifique uma inflação generalizada dos usados.
No mercado de novos, o cenário é bem diferente. Em agosto, as matrículas de ligeiros de passageiros cresceram 8,4% face ao mesmo mês de 2025, para um total de 14.086 unidades. No acumulado do ano, o crescimento é de 9,5%. O grande destaque vai para os veículos 100% eléctricos: em agosto, os BEV representaram 36,1% do total de novos ligeiros de passageiros matriculados, um valor recorde. A quota acumulada no ano sobe assim para 26,8%, o que significa que mais de um em cada três automóveis novos registados em agosto era totalmente eléctrico.
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