
A Tesla mostrou finalmente o novo Tesla Roadster voador, com uma demonstração impressionante das capacidades que só ficarão disponíveis para um grupo muito restrito de clientes.
Após anos, e anos, e anos, e anos de espera (a Tesla mostrou-o e começou a aceitar reservas em 2017), a Tesla mostra finalmente o seu prometido Tesla Roadster voador, completamente diferente do que tinha mostrado.
O novo Roadster nada tem a ver com o modelo mostrado inicialmente, o que poderá ser uma grande desilusão para os que o tinham reservado com base nas suas linhas fluidas, adoptando um design mais parecido com o de um Lamborghini (a Tesla diz que o design foi inspirado em aviões como o SR-71 Blackbird). Muitas das promessas iniciais ficaram pelo caminho, com a prometida autonomia de 1000 km, que cai para metade. Em vez disso, os futuros compradores passam a poder contar com um carro que chega em diferentes versões: a versão “normal”, uma versão com ventoinhas que permitem “colar” o carro ao solo, e a exibicionista versão “a jato” capaz de voar.

A Tesla começou por demonstrar a capacidade de sucção do carro, fazendo-o subir por uma rampa até ficar na vertical e também de cabeça para baixo. Impressionante sim, mas nada de inédito, sendo algo que já foi demonstrado há mais de um ano pelo McMurtry Spéirling. Mas, a grande demonstração da noite foi quando o Roadster avançou pela rampa a grande velocidade, projectando-se no ar de cabeça para baixo, e, no ar, reorientando-se para fazer uma aterragem suave.
A demonstração seguinte materializou o sonho de saltar por cima de uma fila de carros parados, contando também com uma reviravolta para efeitos artísticos. E por fim, a aceleração a jato, fazendo-o chegar dos 0 aos 100 km/h em 0,81 segundos, com o condutor a ter que suportar uma força superior a 3G.
Ora, passando à análise do evento, a demonstração foi um mega sucesso, e há que reconhecer a coragem da Tesla em fazê-la ao vivo em frente a um grupo de pessoas. Havia quem lançasse a acusação de que a Tesla fez a demonstração à noite para a “falsificar” com cabos e ilusões, mas tudo indica que efectivamente foi tudo feito de verdade. Ainda assim, há a suspeita mais plausível de que os carros que efectivamente voaram eram versões despidas internamente, mas há que reconhecer que a própria Tesla indicou claramente que se tratavam de protótipos e não das versões finais de produção. Falando da produção, na habitual tradição de Elon Musk e da Tesla, é algo que agora fica prometido para 2028, significando um diferencial de mais de uma década desde a apresentação inicial.

Na versão voadora, todo o espaço interior do carro é usado por um tanque de alta pressão. Para evitar a necessidade de recarregar, o carro tem o seu próprio compressor, recarregando o tanque por si mesmo sem necessidade de qualquer dispositivo externo. No entanto, há que referir que esta versão voadora do Roadster nem sequer estará disponível para quem o quiser: a Tesla diz que esta versão só estará disponível por convite para uma clientela muito selecta e restrita, algo que faz todo o sentido, já que esta variante dificilmente receberia aprovação para circular nas estradas públicas. Muito certamente destinando-se apenas a figurar nas garagens de alguns poucos bilionários espalhados pelo mundo, para serem exibidos e nada mais.
Justificou-se o tempo de espera, para ver algo que não se pode comprar nem poderá ser usado? É discutível. Muitos dos clientes originais poderão ficar desapontados, por terem perdido benefícios práticos como a autonomia de 1000 km em troca de capacidades nada úteis para o dia a dia (mesmo a versão com ventoinhas só poderá ser usada em pista, e com tampões nos ouvidos). Por isso, será difícil contrariar que esta demonstração, bem sucedida, é certo, se destinou mais a ser uma demonstração das capacidades de engenharia da SpaceX, para fazer subir as acções e servir de preparação para uma eventual fusão da Tesla na SpaceX.
Agora é uma questão de ver se a promessa de entregar os Roadsters efectivamente se concretizará em 2028 ou se será preciso esperar ainda mais alguns anos, ou, se até lá, Elon Musk se lembra de dizer que o Roadster também deveria andar debaixo de água, levando a mais uma década de espera.
P.S.: O ponto ridículo da noite foi o destaque dado ao aileron móvel traseiro, parecendo ignorar todos os carros que os usam há décadas. E, mais demonstrativo de que se tratou de um evento show-off do que propriamente dedicado ao carro, apesar das múltiplas referências de que se tratava de um carro para o prazer da condução, não foi mostrado sequer um vídeo de como o carro se comportava a dar as curvas em pista.



