General Motors diz que comprar um carro só dá “licença” para utilizar o seu software

Numa altura em que muito se luta pela aplicação de bom senso na questão dos direitos de autor aplicados aos produtos digitais, eis que afinal parece que está a acontecer o oposto, com a General Motors (GM) a dizer que a compra de um automóvel não implica ser dono do mesmo, mas apenas de uma licença de utilização do software que vem lá dentro.

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A questão aplica-se mais concretamente ao software de gestão do motor, e que tem sido um tema bastante debatido nos EUA nos últimos tempos. Um automóvel é um bem físico, mas no seu interior encontramos-se o software responsável por toda a gestão do veículo e do motor. É precisamente esse software que tem dado muito que falar, pois marcas como a GM dizem que esse software proprietário é seu e que a compra do automóvel não significa que o mesmo tenha sido vendido, sendo simplesmente uma licença para a utilização do mesmo, sem que se tenha direito a mexer ou interferir com ele.

Se poucas pessoas terão vontade de andar a mexericar com as ECU (Engine Control Unit) dos seus veículos, o caso muda de figura quando se considera que isso será essencial para que todas as oficinas não-oficiais possam continuar a fazer a manutenção desses automóveis. Para todos os efeitos, as marcas querem equiparar essas manutenções ao mesmo tipo de coisa que os cracks usados para remover as protecções de jogos e outros programas protegidos.

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Sabem o que vão conseguir com todas estas tretas? Que mais pessoas fiquem incentivadas a saltar para o conceito de redes de transportes partilhados, com automóveis sem condutor, assim que estes fiquem disponíveis. Depois, que não se admirem se os novos gigantes da indústria automóvel forem empresas como a Google, Tesla, Uber, ou até mesmo a Apple (que também se fala estar a explorar essa vertente).

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