França lidera as importações de carros usados para Portugal

Em Portugal, a oferta local de automóveis não é suficiente para satisfazer a procura, levando muitos condutores a procurar carros usados no estrangeiro.

Porém, até um veículo aparentemente bem conservado pode ocultar defeitos graves ou manipulação da quilometragem. Uma vez que os países não trocam dados sobre veículos de forma sistemática, o risco de comprar um carro importado com problemas continua a ser significativo.

A empresa de dados automóveis carVertical realizou o seu estudo anual para identificar os principais países de origem das importações feitas por Portugal e que carros suscitam mais interesse entre os compradores.

Mais de metade dos carros usados em Portugal são importados

Em quase todos os países estudados (17 em 18), a Alemanha ficou entre as cinco principais origens de importação de veículos. França (16 países), Itália (14) e Bélgica (11) também se destacaram, embora os padrões de importação variassem significativamente em função do mercado.

De entre todos os veículos verificados pelos utilizadores da carVertical em Portugal no ano de 2025, 22,3% foram importados de França, 12,8% da Alemanha, 9% da Bélgica, 4,3% da Holanda e 1,7% de Itália.

De acordo com os dados da carVertical, os veículos importados representaram 57,3% de todos os carros verificados em Portugal, sendo os restantes 42,7% relativos a veículos locais (não importados).

“Países como a Alemanha, França e Itália têm uma indústria automóvel altamente desenvolvida. Uma vez que é lá que muitos carros novos são vendidos, é natural que, ao terminar os períodos de leasing, uma parte desses veículos seja exportada para outros países”, afirma Matas Buzelis, especialista em mercado automóvel da carVertical.

É comum que os carros importados apresentem manipulação da quilometragem e do histórico de danos

Embora um carro importado possa parecer uma alternativa atraente, são veículos que muitas vezes já estiverem envolvidos em acidentes graves ou cuja quilometragem foi manipulada.

Entre os principais mercados de importação para Portugal, 4,9% dos veículos importados de França tinham quilometragem adulterada, sendo esse valor de 3% na Alemanha, 3,5% na Bélgica, 4,2% na Holanda e 4,2% em Itália.

Reduzindo a quilometragem marcada, os vendedores desonestos podem vender um veículo por um preço mais elevado. Como resultado disso, os condutores menos conscientes pagam a mais e podem enfrentar custos de manutenção significativos quando levarem o carro à oficina.

A adulteração da quilometragem custa aos países europeus milhões de euros anualmente, mais ainda não se verificaram progressos substanciais na redução deste tipo de fraude.

Em muitos casos, o histórico de um veículo permanece apenas nos registos nacionais. Quando é importado para o estrangeiro, um carro pode efetivamente começar o seu histórico do zero, tornando mais difícil para os compradores acederem a informações completas sobre o seu histórico.

As estatísticas de danos também são reveladoras. Entre os veículos importados para Portugal, 80,9% dos provenientes da Alemanha tinham registos de danos. Quanto aos carros importados da Bélgica, a percentagem atingiu 82%, sendo que nos Países Baixos foi de 60,8%, em França de 32,6% e em Itália de 12,2%.

Embora nem todos os casos de danos sejam críticos, um veículo que tenha sofrido um acidente grave pode não oferecer segurança durante a condução. Além disso, na procura de lucros mais altos, alguns concessionários reparam carros utilizando peças não originais, que podem avariar mais rapidamente.

As marcas mais populares têm um risco mais elevado

Em 2025, as marcas mais importadas em Portugal foram: BMW, Mercedes-Benz, Peugeot, Volkswagen e Audi. Embora sejam marcas que, geralmente, têm uma reputação sólida no mercado de segunda mão, a sua popularidade também atrai vendedores desonestos.

Entre estas cinco marcas, a Peugeot tinha a maior percentagem de quilometragem manipulada: 2,8%. Seguiu-se a Mercedes-Benz (2,1%),a Audi (1,9%), a BMW (1,8%) e a Volkswagen (1,7%).

Quanto aos danos, a maior percentagem pertenceu à BMW, com 41,9%. Seguiu-se a Volkswagen (40,7%),a Audi (36,9%), a Mercedes-Benz (29,6%) e a Peugeot (18,9%).

Os carros chegam a Portugal por diversas vias. Nalguns casos, os compradores selecionam um veículo diretamente em plataformas de classificados estrangeiras e adquirem-no por conta própria ou através de intermediários. No entanto, é mais comum que os veículos sejam importados para o país por terceiros e colocados à venda antes de serem registados.

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