Porque se inclinam as motos para virar – e porque se deve “virar” no sentido oposto

O conhecimento de que as motos se inclinam para virar já será algo empírico e gravado na memória de todos (nem que seja ao ver a inclinação extrema que as motos de competição atingem, e que quase parecem desafiar as leis da física). Mas é precisamente a física que isso permite… embora haja um aspecto que pode parecer não ter lógica nenhuma.

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A inclinação das motos ao fazerem uma curva não só é necessário, como coloca em acção todo um conjunto de forças (gravidade, aceleração, fricção, centrífuga, etc.) que resultam na manobra pretendida (sem que o condutor sequer pense nisso.) Mas a parte mais curiosa e interessante é a que precede o acto de virar…

Num automóvel, todos sabem que devem rodar o volante para o lado que desejam seguir, com as rodas a virarem para essa mesma direcção e a guiarem o carro nesse sentido. No entanto, nas motos isso só se aplica a velocidades muito reduzidas, como quando se está a levar a moto à mão para qualquer lado. Assim que a velocidade se eleva, mesmo para valores moderados, o processo de viragem torna-se em algo que parece contra-intuitivo: o de que devemos “virar” para o lado oposto ao que desejamos seguir.

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Há muitos mitos sobre o controlo ideal de uma mota, como a de que o factor principal é o peso que se exerce nos pedais, mas na verdade isso afecta apenas a sua orientação de forma muitíssimo reduzida. O segredo está mesmo no seu guiador, que deverá ser visto não como algo que se “roda” mas sim como uma barra onde se exerce pressão. Devido a todas as forças envolvidas e ao efeito giroscópico, a forma ideal de curvar uma moto passa por exercer pressão para empurrar o guiador do lado para o qual se quer virar. Isto é, se queremos curvar para a direita, devemos faz pressão para empurrar a manete direita (ter em conta que não se trata de realizar um movimento brusco e violento, mas sim uma pressão suave – pois a reacção é imediata e bem notória.)

O resultado desta técnica é que a moto se inclinará sem esforço para o lado pretendido, e sem que seja necessário estar em luta constante com a máquina para que ela siga a trajectória desejada.

Idealmente, isto deveria ser algo ensinado nas escolas de condução (se calhar agora é). Mas no meu caso, só ao fim de cerca de um ano de já andar de mota, é que aprendi esta forma correcta de dar as curvas numa moto (na altura ainda não tínhamos internet para nos ajudar! 🙂

 

https://youtu.be/4PbmXxwKbmA

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