O trágico acidente com um automóvel autónomo da Uber que atropelou e matou uma mulher tem gerado enorme preocupação sobre a capacidade destes veículos detectarem pessoas nas estradas, e a polícia já divulgou as imagens que antecedem o acidente que poderão ajudar a explicar o que se passou… mas que também levantam outras perguntas.
Uma das “vantagens” (se assim se pode dizer) dos acidentes com automóveis autónomos, é que estes levam a bordo uma quantidade considerável de câmaras e sensores que registam tudo o que acontece, e que assim permitem recriar a situação e analisar o que se passou. As primeiras indicações que tinham sido dadas era a de que teria sido um acidente impossível de evitar, mesmo para um condutor humano… e o vídeo agora revelado vem demonstrar que de facto assim é:
Tempe Police Vehicular Crimes Unit is actively investigating
the details of this incident that occurred on March 18th. We will provide updated information regarding the investigation once it is available. pic.twitter.com/2dVP72TziQ— Tempe Police (@TempePolice) March 21, 2018
A mulher, que ia a atravessar a estrada empurrando uma bicicleta, escolheu o pior sítio possível para o fazer, numa zona sem iluminação logo após uma zona iluminada da estrada (sem considerar que tinha uma passadeira iluminada a poucas dezenas de metros). O efeito é o de ter “aparecido” de repente, sendo que poucos condutores poderão dizer que teriam conseguido evitar este acidente.
… No entanto, estas são apenas as imagens captadas por uma das câmaras instaladas no automóvel. Tratando-se de um dos Volvo equipados com muitas mais câmaras e – mais importante para este caso – LIDAR, torna-se mais difícil compreender porque motivo o LIDAR, pelo menos, não terá detectado a pessoa a atravessar a estrada.
Antes deste vídeo do acidente, imaginava que a mulher pudesse ter saído de trás de um veículo ou arbustos num separador central, impedindo a sua detecção de forma atempada. Agora que vimos o que se passou, não parecem haver desculpas para que, mesmo tratando-se de um acidente que não poderia ser evitado por um condutor humano ou com base em câmaras normais (câmaras térmicas ou de visão nocturna / IR teriam também tratado do assunto) era o tipo de situação que o LIDAR deveria, obrigatoriamente, ter detectado! Sem esquecer que, ainda o ano passado, estes automóveis precisavam de atenção constante por parte dos condutores humanos.
Certamente que a investigação deste caso irá querer ver os dados do LIDAR e o que falhou; e só espero que, ao estilo de um acidente que tive há muitos anos, em que um sujeito chocou comigo e me veio explicar que “foi por ter o ABS avariado há algumas semanas e ainda não ter tido tempo para levar o carro à oficina” não se venha a descobrir que os LIDAR nestes carros da Uber estejam lá apenas para “enfeitar” e o sistema não os esteja a usar… Vamos acreditar que não, e que há outra explicação lógica para o LIDAR não ter detectado uma pessoa no meio da estrada…



