A incrível engenharia do X-15

Apesar do maior protagonismo do Blackbird SR-71, há uma outra máquina voadora que o conseguia deixar para trás sem dificuldade, e cujo recorde de velocidade permanece há mais de 50 anos: o incrível X-15.

O North American X-15 era um avião experimental hipersónico da NASA e Força Aérea dos EUA (USAF), e que fez o seu primeiro voo em 1959. Com um motor de foguete, quase poderia ser melhor descrito como um míssil tripulado. Este avião foi batendo sucessivos recordes de velocidade e altitude, tendo em Outubro de 1967 atingindo a incrível velocidade de Mach 6.7 (7.274 km/h) a mais de 31 mil metros de altitude – recorde da maior velocidade para um avião tripulado, que permanece imbatido mesmo após mais de meio século.

Como se poderá imaginar, as dificuldades para atingir essas incríveis velocidades (mais de 2 km por segundo!) foram imensas, a começar pela necessidade de encontrar materiais que simultaneamente conseguissem resistir às imensas temperaturas a que ficava sujeito a essas velocidades. O avião que bateu o recorde regressou ao solo literalmente destruído, com várias partes derretidas. E pelo meio das coisas, houve problemas de ordem prática para resolver, como o facto do material que ia derretendo se ir colando nos vidros do cockpit, impedindo que o piloto visse – e que acabou por ser resolvido com uma cobertura sobre um dos vidros, protegendo-o até depois do voo de alta-velocidade, para que o piloto pudesse ver pelo menos através de uma das janelas para aterrar.

Se a velocidade que o X-15 atingiu é algo que a maioria dos fãs da aviação poderão saber, o que provavelmente não saberão é que isso só aconteceu após 188 voos de teste anteriores; e depois deste recorde ter sido atingido, restavam apenas 10 voos adicionais até ao programa ser encerrado, em Dezembro de 1968, com 199 voos deste “míssil”. Ao longo de todos esses voos, foram recolhidas informações valiosas que viriam a possibilitar o desenvolvimento de aviões como o Blackbird, e até do Space Shuttle.

Publicado originalmente no AadM

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