
O verão continua a ditar o ritmo do mercado de motas e caravanas usadas em Portugal, com os preços das motas a subirem 4% no primeiro semestre de 2026, fixando-se nos 10.616 euros de média. Os dados são do Standvirtual, o maior portal de classificados automóveis do país, e revelam dinâmicas distintas entre os dois segmentos, ainda que ambos se mantenham como escolhas de referência para quem procura mobilidade e lazer nos meses mais quentes.
No caso das motas, a valorização do preço médio acontece num contexto de menor actividade: os contactos gerados pelos anúncios caíram 9,7% e as visualizações recuaram 14,2%, com a oferta também a encolher ligeiramente, menos 2,6% no número médio diário de anúncios activos. Ou seja, há menos motos à venda, menos gente a ver os anúncios, mas os preços sobem na mesma. Junho, o primeiro mês de verão com dados completos comparáveis entre 2025 e 2026, acentua esta tendência: o preço médio das motas usadas chegou aos 10.881 euros, uma subida de 5,5%, mesmo com a procura a cair 29,5%.
Nas caravanas, o cenário é diferente. O preço médio recuou 3,1%, para os 48.792 euros, numa estabilização natural após o pico histórico registado no final de 2025. A procura manteve-se praticamente estável, com os contactos a crescerem 1,3% e a oferta a acompanhar com uma subida de 1,2%. Em junho, o preço médio das caravanas desceu 5,6%, mas os contactos aumentaram 2%, o que sugere um mercado a ganhar volume sem pressionar os preços para cima.
“O verão continua a ser o principal momento de procura tanto para motas como para caravanas, mas cada mercado está numa fase diferente de maturidade. As caravanas consolidam o crescimento dos últimos anos, impulsionadas pelo desejo por férias flexíveis e experiências ao ar livre. Já as motas enfrentam uma estabilização, mas continuam valorizadas e muito activas”, explica Pedro Soares, Head of Sales do Standvirtual.
Em termos de marcas e modelos, a Fiat Ducato domina o segmento das caravanas em anúncios, contactos e visualizações, com o Challenger Genesis, o Chausson Flash e o Citroën Jumper a ganharem também alguma expressão. Nas motas, a Honda é a marca mais procurada, seguida pela Yamaha e pela Ducati. Quanto aos tipos de moto, as Trail lideram o mercado com uma subida de 9,2% na oferta, seguindo-se as Naked, Scooter e Sport Touring, estas últimas com quebras na procura face ao ano anterior. Nas caravanas, as Perfiladas são as mais procuradas e as mais maduras, com a oferta a crescer 7,4% e os contactos a subirem 0,7%. Os segmentos Furgão e Integral são os que crescem mais em termos de oferta, 25,7% e 23,8% respectivamente, o que aponta para uma diversificação crescente nas preferências dos compradores.
Do ponto de vista geográfico, Lisboa mantém a liderança nos dois mercados, com o maior volume de anúncios, mais 5,4%, contactos, mais 13,7%, e visualizações. Braga e Porto mantêm-se em destaque em ambos os segmentos. Nas caravanas, Aveiro e Braga destacam-se pelo crescimento da oferta, enquanto Faro regista a maior subida de contactos, 36,9%, reflectindo um interesse crescente pelo turismo itinerante no Algarve. Porto e Coimbra, por outro lado, mostram uma desaceleração depois de um 2025 forte. Nas motas, os distritos mais dinâmicos são Aveiro, com uma subida de 53,2%, e Viana do Castelo, com 22,5%, dois casos que vão claramente contra a tendência geral de estabilização.
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