Até no mostrador das RPM os automóveis nos enganam

Com o caso dieselgate a ter destruído a confiança do público nas marcas automóveis, não ajudará descobrir que há muito que somos enganados, e em coisas tão inocentes e simples com a simples apresentação das rotações do motor.

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Ao se dissecar em que consistia concretamente a batota da VW no caso dieselgate, descobriram-se também muitas outras coisas curiosas – e que por acaso vieram mesmo a propósito de algo que recentemente discutia com um amigo.

Gabava eu os carros mais recentes e a sua gestão electrónica, e que permitiam que um motor actual funcionasse quase como um “relógio suiço”, podendo comprovar-se isso pelo facto das rotações do motor se manterem perfeitamente constantes ao ralenti desde o momento em que se colocava o motor em funcionamento – e isto em oposição aos carros mais antigos, onde a agulha do indicador das RPM saltitava e por todo o lado.

Ora… nem de propósito, o vídeo sobre a batota do dieselgate vem falar precisamente nisso (aos 48:20) destruindo por completo a minha teoria.

 

https://youtu.be/xZSU1FPDiao?t=48m19s

Tal como muitos outros parâmetros do motor, as RPM são fornecidas digitalmente pela unidade de controlo; sendo que neste caso se esperaria que esse valor fosse simplesmente relacionado com as ditas “rotações”. Por isso… qual não é a surpresa quando se descobre que o valor relativo às RPM a apresentar no painel de instrumentos do veículo não depende apenas dessas rotações, mas sim de mais de 20 parâmetros de entrada que têm em conta coisas como a posição do acelerador e temperatura!

Na verdade, o cálculo das rotações é bastante complexo, contendo mais de 12KB de código, sendo precisamente esse código que é responsável por manter a tal ilusão de que as RPM de um motor moderno pareçam ser tão certas como um relógio suiço.

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Isto em nada invalida que os motores actuais sejam realmente mais eficientes e certinhos que os motores antigos; acabando por se poder considerar uma pequena “mentira inofensiva” em benefício dos utilizadores (que certamente preferirão ver uma representação das RPM mais estável nos seus mostradores.) Mas por outro lado, não deixa de ser algo capaz de induzir em erro os utilizadores, e talvez possa servir para demonstrar o tipo de coisas que a indústria automóvel se sentiu no direito de ir escondendo… e que, de passo em passo, lá chegou a coisas tão gravosas como o esconder das emissões poluente.

Resumo da história: todos os carros nos enganam continuamente sempre que olhamos para o seu painel de instrumentos. E como programador, bem que fico com enorme curiosidade para perceber porque motivo foi necessário complicar tanto o cálculo das RPM! Se houver por aí alguém que até trabalhe com a programação das ECUs dos motores, que esteja à vontade para me explicar o processo. 🙂

 

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