
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) ordenou inspeções de emergência a 16 Airbus A380 depois de terem sido detectadas fissuras numa componente estrutural no interior das asas de um dos superjumbos.
A Airbus, maior fabricante de aviões da Europa, confirmou que 15 das aeronaves afectadas pertencem à Emirates, com sede no Dubai, e uma à australiana Qantas. Cinco aviões da Emirates foram obrigados a passar pelas inspecções antes do próximo vôo, enquanto os restantes 11, incluindo o da Qantas, têm um prazo de 25 ciclos de vôo para realizar a verificação.
As inspecções vão centrar-se na longarina central da asa (wing mid-spar), um elemento estrutural fundamental dentro da caixa de asa que ajuda a distribuir as tensões geradas durante o vôo. Segundo esta directiva, “as fissuras encontradas em determinadas aeronaves podem reduzir a integridade estrutural da asa”.

A directiva de emergência foi emitida a 22 de junho e entrou em vigor a 24 de junho. A Emirates, que opera a maior frota de A380 do mundo com mais de 100 aeronaves, equivalente a mais de metade de todos os superjumbos activos, indicou que as inspecções arrancam num prazo de 48 horas e que qualquer reparação necessária será feita antes de qualquer aeronave voltar ao serviço.
Já a Qantas confirmou que o seu único avião afectado, com a matrícula VH-OQI, já se encontra em manutenção pesada em Dresden, na Alemanha, pelo que a directiva não deve ter impacto no calendário de vôos da companhia.
A EASA não imobilizou a frota global do A380 e não há, por agora, indicação de risco de segurança imediato em todas as aeronaves. Ainda assim, directivas de emergência da agência são raras e normalmente reservadas para problemas que possam comprometer a segurança aeronáutica caso não sejam resolvidos.
Este não é o primeiro problema estrutural nas asas do A380. Em 2012, a EASA já tinha ordenado inspecções depois de fissuras terem sido detectadas nos suportes que ligam o revestimento da asa ao elementos transversais internos, um caso que acabou por afectar toda a frota mundial e exigiu um programa de reparação dispendioso. A directiva actual parece mais limitada, focando-se num subconjunto específico de aeronaves de produção inicial.



