Portugueses dependem do carro mas hesitam nos eléctricos

Compra Usado

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Um novo estudo do Standvirtual revela que 83% dos portugueses prevê continuar a depender do carro próprio no futuro. No entanto, quando o tema muda para mobilidade eléctrica, o entusiasmo arrefece consideravelmente: menos de metade dos inquiridos, concretamente 49,38%, admite sequer considerar a compra de um veículo eléctrico.

Entre quem pondera essa transição, a cautela é evidente. A maioria, 63,13%, não pensa fazê-lo a curto prazo, e apenas 10,61% admite avançar nos próximos seis meses. As razões para a hesitação são conhecidas mas continuam por resolver: o preço de aquisição é apontado como principal barreira por 49,13% dos inquiridos, seguido das preocupações com a autonomia, referidas por 19,95%, e da falta de infra-estruturas de carregamento, mencionada por 14,71%.

A dependência do automóvel é um dado transversal a todas as gerações. Actualmente, 78,3% dos portugueses usa o carro próprio como meio de transporte principal, e essa realidade não deverá alterar-se: 83,04% dos participantes no estudo prevê manter essa dependência. Os transportes públicos e outras alternativas continuam a ter uma expressão residual nas escolhas de mobilidade quotidiana. A centralidade do automóvel é ainda confirmada pelo facto de 79,55% dos portugueses discordar da ideia de que o carro já não é essencial para a sua mobilidade.

“Os dados revelam que, mesmo com a crescente visibilidade dos veículos eléctricos, o mercado automóvel em Portugal continua fortemente assente no automóvel tradicional e numa lógica de decisão cautelosa, especialmente quando envolve investimentos mais elevados como os carros eléctricos”, afirma Miguel Lucas, Head of Go-To-Market Product do Standvirtual.

O estudo mostra também diferenças geracionais claras na forma como os portugueses pesquisam e compram automóveis. Os mais jovens, entre os 18 e os 27 anos, colocam o custo total de utilização no topo das prioridades, com 94,74% a apontá-lo como factor decisivo. As principais barreiras para este grupo são os custos elevados de aquisição, referidos por 73,57%, e a dúvida sobre o tipo de veículo a escolher, mencionada por 33,42%. Ainda assim, são eles que mostram maior abertura à compra online, com os stands digitais a representar 31,58% das preferências, contra 47,37% que ainda opta pelos stands físicos.

Na faixa dos 28 aos 43 anos predomina um comportamento híbrido, que combina o físico com o digital. É este grupo que mais recorre a stands online, com 23,77%, e que mais utiliza marketplaces, com 20,63%. Mais de metade, 50,97%, planeia trocar de carro no futuro, com os custos mensais a pesarem claramente na decisão, referidos por 72,20% dos inquiridos desta faixa etária.

Entre os 44 e os 59 anos, a experiência presencial continua a ser determinante: 52,50% prefere os stands físicos, embora 20,63% já integre ferramentas digitais no processo de pesquisa e comparação. É também este grupo que regista a maior intenção de troca a curto prazo, com 25% a pensar mudar de carro nos próximos 12 meses.

A incerteza em torno da motorização do próximo veículo é outro dado que sobressai na análise. Um total de 26,43% dos consumidores admite ainda não saber que tipo de motorização vai escolher, um valor que supera mesmo a intenção de compra de um eléctrico, fixada nos 23,19%. O preço mantém-se como o critério de decisão mais citado na compra de automóvel em geral, referido por 85,04% dos participantes, seguido dos custos mensais de utilização, como consumo, seguro e inspecção, apontados por 67,83%.

O estudo, que contou com 401 entrevistados, confirma ainda a forte notoriedade do Standvirtual em Portugal: 93,02% dos participantes conhece a plataforma e quase 69% afirma tê-la utilizado ou visitado várias vezes.

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