Como foi apanhada a VW na mentira das emissões

O caso da VW está a dar muito que falar (e já se vai alastrando a outras marcas) e há quem tenha curiosidade em saber como é que a marca germânica foi apanhada, depois de anos a enganar as entidades de certificação e os consumidores quanto aos níveis de emissões poluentes dos seus automóveis.

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A discrepância de valores foi descoberta por uma equipa de investigadores da Universidade de West Virginia, que já tinha publicado as suas observações no início de 2014. Ao contrário do que acontece nos sistemas de testes normais, em que o carro fica estacionário sob um sistema de rolos, e equipado com sondas para monitorizar as emissões do escape – um teste que normalmente implica entrar num modo especial de diagnóstico, para desactivar os sistemas de controlo de tracção e outros – estes investigadores alteraram um carro para fazer essa medição com um carro em condução normal (como se vê na imagem).

Foi nestas situações que as medições obtidas se revelaram surpreendentes, com dois carros da VW (um Jetta e um Passat) a ultrapassarem em 35x e 20x os limites máximos de NOx permitidos pela legislação. Os investigadores recorreram até a um gerador independente para alimentar o sistema de monitorização, para que a carga eléctrica adicional não interferisse com o funcionamento normal do automóvel.

Ainda falta explicar porque motivo existe tal discrepância entre o tal modo “batota” para passar os testes e o modo em condução normal, sendo este um aspecto que continua a intrigar os investigadores; mas isso será algo que agora irá ser minuciosamente estudado. E entretanto, vão-se levantando as vozes que pedem consequências bem mais graves para todos os responsáveis por esta mega-fraude ambiental, e que não chega um pedido de desculpa e uma demissão voluntária do presidente da VW (que diz que não sabia de nada).

… Tal como referido… isto ainda vai dar muito que falar; e imagino quantos mais fabricantes estarão neste momento a pensar como seria bom ter investido no tal sistema de actualizações remotas, para agora “corrigirem” os seus carros antes que também eles sejam apanhados com batotas idênticas.

 

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