Atmosfera da Terra prolonga-se para além da Lua

Estamos habituados a considerar a atmosfera da Terra como sendo uma fina camada que envolve o nosso planeta, mas observações do observatório SOHO revelaram que na verdade ela se expande muito para além da órbita da Lua.

A transição da atmosfera para o “espaço” não é algo que tenha uma barreira física bem definida. À medida que a gravidade se vai reduzindo a atmosfera vai ficando cada vez menos densa, até eventualmente se tornar num vácuo total. Observações do SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) mostraram que os gases da atmosfera terrestre criam uma nuvem que se prolonga por mais de 630 mil quilómetros, indo muito para além da órbita da Lua.

Há no entanto que ter em conta que estamos a falar de densidades de hidrogénio extremamente reduzidas (para quem estivesse a pensar que isso seria suficiente para se poder respirar na Lua!) Mesmo na zona mais densa, comprimida pelo Sol, estamos a falar de uma densidade de apenas 70 átomos por centímetro cúbico a 60 000 km da superfície do nosso planeta; valor que se reduz para cerca de 0.2 átomos à distância da Lua, e que se continua a reduzir progressivamente até deixar de ser detectável.

Numa das fotos tiradas à Terra pelo primeiro telescópio na Lua (levado pela missão Apollo 16 em 1972) é bem visível esta geocorona da Terra, no espectro ultra-violeta; sem que na altura se suspeitasse que os próprios astronautas na Lua estariam também envoltos nela… 🙂

Publicado originalmente no AadM

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